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92% DAS EMPRESAS DE RONDÔNIA NÃO ESTÃO PREPARADAS PARA A REFORMA TRIBUTÁRIA, ALERTA ECONOMISTA

Por Redação
Publicado Hoje, às 07h 00min

A reforma tributária brasileira, considerada a maior mudança fiscal das últimas décadas, pode encontrar um obstáculo preocupante: o despreparo estrutural das empresas. Em Rondônia, 92% dos empresários afirmam não estar prontos para as novas regras. O dado foi destacado pelo economista Silvio Rodrigues Persivo Cunha durante participação no PodRondônia Economia, apresentado pelo jornalista e editor do Valor&MercadoRO, Marcelo Freire.

O número, por si só, já acende um alerta. Mas o cenário é ainda mais delicado quando analisado em profundidade.

Um país que ainda não começou a se adaptar

Segundo pesquisa citada no episódio, 97% das empresas brasileiras não estão preparadas para a reforma tributária, e 69% sequer iniciaram qualquer processo de adaptação.

Em Rondônia, o quadro é semelhante:

  • 92% afirmam não estar preparadas
  • 75% não tomaram nenhuma providência concreta

O economista foi direto ao diagnosticar o problema:

“Grande parte das micro e pequenas empresas ainda funciona de forma amadora. Misturam empresa com o bolso pessoal e não têm controle real da própria operação.”

A nova legislação exigirá integração digital, controle rigoroso de créditos tributários, gestão de estoque eficiente e acompanhamento financeiro em tempo real.

Digitalização deixa de ser opcional

Com a implantação da CBS e do IBS, o recolhimento do imposto passará a ocorrer no momento da venda. Isso significa retenção automática e necessidade de sistemas integrados.

Empresas que ainda operam com planilhas manuais ou controles informais enfrentarão dificuldades imediatas.

“Não vai mais ser possível trabalhar sem um sistema integrado. O empresário vai precisar saber exatamente o que entra, o que sai e qual crédito pode utilizar.”

O papel do contador também muda radicalmente. De profissional focado apenas no cumprimento de obrigações fiscais, ele passa a atuar de forma estratégica dentro da empresa.

O risco real para micro e pequenas empresas

Rondônia possui uma base econômica fortemente composta por microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e pequenas empresas. São elas que sustentam boa parte do comércio local e da geração de empregos.

O problema é que muitas dessas empresas sobrevivem com margens apertadas e baixo capital de giro. Com o novo modelo tributário, a retenção automática de imposto pode reduzir ainda mais a liquidez.

Além disso, a necessidade de adaptação tecnológica implica investimento — algo difícil para quem já opera no limite.

O economista alerta:

“As empresas que não se estruturarem enfrentarão dificuldades sérias na transição.”

Reforma não é apenas tributária — é estrutural

A discussão vai além da mudança de impostos. Trata-se de um novo padrão de profissionalização empresarial.

A reforma força:

  • Separação clara entre finanças pessoais e empresariais
  • Controle digital integrado
  • Planejamento tributário estratégico
  • Revisão de preços e margens
  • Empresas que não tiverem controle adequado de crédito tributário poderão pagar mais imposto do que o necessário.

O papel das instituições de apoio

Diante desse cenário, o economista destacou a importância de instituições como Sebrae, federações do comércio e entidades empresariais intensificarem programas de capacitação.

A mudança não será apenas técnica, mas cultural.

O empresário precisará deixar de atuar apenas na operação do dia a dia para assumir postura de gestor estratégico.

 A conta pode chegar antes da preparação

A reforma começa a impactar efetivamente já a partir do próximo ano. O período de transição até 2033 pode até prometer simplificação no longo prazo, mas o curto prazo exige ação imediata.

Empresas que ignorarem essa realidade podem enfrentar:

  • Problemas de fluxo de caixa
  • Aumento de carga efetiva por erro operacional
  • Perda de competitividade
  • Dificuldade de crédito

O alerta não é alarmismo. É diagnóstico técnico.

Rondônia cresce acima da média nacional, mas sua base empresarial precisa evoluir em gestão para sustentar esse crescimento.

A pergunta que fica é objetiva:

Os empresários rondonienses vão reagir agora — ou esperar a mudança bater à porta?

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