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ASSISTA: CPI do Leite em Ji-Paraná expõe crise no setor e emociona produtores rurais em Rondônia
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Leite realizou nesta segunda-feira, 11 de maio, uma reunião descentralizada no plenário da Câmara Municipal de Ji-Paraná

Por Redação
Publicado 11/05/2026
Atualizado 11/05/2026

Foto: Ji-Paraná Notícias

A audiência faz parte da série de oitivas promovidas pela Assembleia Legislativa de Rondônia para ouvir produtores em diferentes regiões do estado. Segundo a deputada estadual Cláudia de Jesus, a reunião em Ji-Paraná foi a quarta etapa da CPI, que já passou por municípios como Alvorada, Machadinho e Jaru.

“Hoje concluímos aqui mais uma reunião, mais uma oitiva na qual ouvimos os produtores. Essa é a nossa quarta reunião descentralizada. A próxima será em Nova Mamoré e aí encerramos essa etapa de ouvir os produtores dentro dessa lógica descentralizada”, afirmou a parlamentar durante entrevista.

Segundo Cláudia de Jesus, o próximo passo da comissão será ouvir entidades governamentais, não governamentais, empresas e laticínios envolvidos na cadeia produtiva do leite.

Durante a oitiva, produtores relataram dificuldades para manter a atividade leiteira devido ao baixo valor pago pelo litro do leite, ao aumento dos custos de produção e à concorrência com produtos importados. Muitos afirmaram estar abandonando a atividade ou migrando para outras áreas do agronegócio, como a cafeicultura e a pecuária de corte.

Um dos depoimentos que mais emocionaram o público foi o do produtor rural Nilvado Valdevino Correia, morador da Linha R1, 35, na região próxima de Ji-Paraná. Durante sua fala, ele relatou que precisou interromper a produção leiteira após sucessivos prejuízos provocados pela instabilidade do mercado.

“É o sentimento do produtor rural, que está lá lutando no dia a dia, que investe, dá o sangue, faz tudo, e chega um momento em que a gente é empurrado para fora. A gente investiu tanto. Chega uma hora que você começa a levar prejuízo”, desabafou.

Nilvado afirmou ainda que muitos produtores vivem a mesma realidade, mas nem todos conseguem expor publicamente o que estão enfrentando.

“A gente fala aquilo que muitos estão sentindo”, declarou.

O produtor também destacou que a maior dificuldade enfrentada atualmente é a instabilidade no preço do leite, o que impede planejamento e novos investimentos dentro da propriedade rural.

“Você investe em pasto, irrigação, qualidade do capim, qualidade do gado, toda a estrutura para produzir leite, mas de repente o preço despenca e o custo fica muito alto. Você tem custo com alimentação, transporte, mineral, tudo é caro. Só que esses custos não caem. O que cai é só o preço do leite”, afirmou.

Mesmo diante das dificuldades, Nilvado disse manter esperança de que a CPI possa gerar resultados concretos para fortalecer o setor leiteiro no estado.

“A esperança da gente é que nessa CPI a gente consiga fazer um bom papel, buscar um bom resultado e que isso fortaleça o setor”, destacou.

Durante entrevista, a deputada Cláudia de Jesus afirmou que os depoimentos apresentados ao longo das reuniões têm revelado uma realidade preocupante no campo e que muitas denúncias já começaram a ser confirmadas durante as oitivas.

“Conseguimos, através dessas reuniões, comprovar algumas denúncias que de fato foram feitas, mas também conseguimos aproveitar proposições para futuras deliberações e políticas públicas que precisam ser implementadas para fortalecer a cadeia produtiva do leite no estado de Rondônia”, declarou.

A parlamentar destacou ainda que o leite possui importância econômica e social para Rondônia, principalmente para a agricultura familiar.

“Essa atividade foi uma das que ajudaram a desenvolver o estado, dando condições econômicas para as famílias sobreviverem no campo”, afirmou.

Segundo ela, o enfraquecimento do setor pode gerar impactos sociais graves, incluindo aumento do êxodo rural.

“Se esses produtores largarem essa atividade e vierem para a cidade, o impacto será enorme. A sociedade depende desse alimento”, alertou.

Cláudia de Jesus também afirmou que muitos produtores têm relatado sofrimento emocional diante da crise vivida no campo.

“É humilhante, alarmante e de partir o coração os depoimentos que temos ouvido nessa CPI, onde produtores chegam chorando porque muitos estão tendo que abandonar a atividade por falta de condições de continuar produzindo”, declarou.

O presidente da FETAGRO, Manoel Carlos Dantas, também participou da audiência e reforçou a preocupação com o cenário atual. Segundo ele, a importação de leite de outros países tem pressionado diretamente o mercado local, afetando tanto produtores quanto empresas do setor.

“Hoje nós temos poucas empresas com capacidade de continuar produzindo aqui no estado, processando e vendendo, porque o mercado internacional nos pressiona muito”, afirmou.

Ainda de acordo com Manoel Carlos, a atual política de valorização da produção acaba favorecendo grandes produtores, enquanto os pequenos enfrentam dificuldades para permanecer na atividade.

“Quem produz mais recebe maior percentual sobre sua produção, e a nossa cadeia produtiva acaba se reduzindo”, destacou.

Também presente na reunião, produtor e ex-vereador Jabá Moreira avaliou como positiva a realização da CPI e afirmou que o debate é fundamental para buscar soluções para o setor.

“O produtor rural não pode continuar sendo o elo mais fraco dessa conta. Muitas vezes ele produz sem saber qual será o valor pago pelo litro do leite no final do mês”, afirmou.

A CPI do Leite seguirá agora para Nova Mamoré, encerrando a etapa de oitivas com produtores rurais. Na sequência, devem ser ouvidas entidades governamentais, instituições não governamentais, empresas e laticínios.

A expectativa é que os trabalhos resultem em propostas de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite em Rondônia, setor considerado histórico e estratégico para a economia estadual.

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Foto: Ji-Paraná Notícias

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