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Maior Paleotoca da região pode ter mais de 10 Mil anos e está em Rondônia
A Amazônia continua revelando capítulos desconhecidos da história do planeta. Em um dos relatos mais impactantes da estreia do RuralCast em parceria com o SENGE/RO, o engenheiro geólogo Amilcar Adamy apresentou detalhes da descoberta da maior paleotoca já identificada na região amazônica — uma estrutura subterrânea escavada por animais pré-históricos gigantes que viveram há mais de 10 mil anos.
Localizada no distrito de Vista Alegre do Abunã, no interior de Rondônia, a paleotoca possui mais de 600 metros de extensão total, com trechos que ultrapassam 170 metros lineares contínuos. Em vários pontos, é possível caminhar em pé no interior da estrutura.
“Quando identificamos as marcas de garras nas paredes internas, ficou claro que não era uma caverna comum. Ali se fechava a história: era uma paleotoca escavada por animais gigantes”, afirmou Adamy durante o episódio.
O QUE É UMA PALEOTOCA?
Paleotocas são túneis escavados por grandes mamíferos da megafauna do Pleistoceno. No Brasil, os principais escavadores identificados são:
- Preguiças gigantes (até 4 ou 5 toneladas)
- Tatus gigantes
- Possivelmente outros mamíferos de grande porte
No caso da estrutura encontrada em Rondônia, o tamanho e a largura indicam que o responsável teria sido uma preguiça gigante, devido às dimensões incompatíveis com tatus gigantes.
“Pela largura, altura e extensão, concluímos que se trata de uma escavação feita por preguiças gigantes. Um tatu gigante não teria capacidade de escavar uma estrutura dessa magnitude”, explicou.
A AMAZÔNIA NÃO ERA FLORESTA
Um dos aspectos mais surpreendentes da descoberta é o contexto ambiental da época.
Segundo o geólogo, durante o Pleistoceno, a região amazônica possuía características muito diferentes das atuais. O clima era mais frio e seco, com presença significativa de savanas e vegetação aberta — ambiente propício para grandes herbívoros.
“Nós tínhamos aqui um cenário muito diferente do atual. A floresta não dominava toda a paisagem. Havia áreas de savana, e isso permitia a presença de megafauna.”
Entre os animais que habitaram a região estavam:
- Mastodontes (parentes dos elefantes)
- Toxodontes
- Tigres-dente-de-sabre
- Preguiças gigantes
A paleotoca seria, portanto, um vestígio físico desse período.
COMO A ESTRUTURA SE MANTEVE POR 10 MIL ANOS?
Uma das grandes perguntas é: como uma escavação desse porte resistiu por milênios em uma região marcada por chuvas intensas?
A resposta está na composição geológica.
A estrutura foi escavada em laterita — material rico em ferro, altamente resistente após consolidação. Isso contribuiu para a preservação do túnel ao longo do tempo.
“O material é laterítico, bastante resistente. Isso ajudou a preservar a estrutura mesmo com a umidade constante da região”, detalhou.
Ainda assim, a caverna sofre inundações sazonais e só pode ser visitada durante o período de seca, entre abril e setembro.
PROTEÇÃO LEGAL E CONSERVAÇÃO
Após a confirmação da importância histórica, houve preocupação com a preservação da área. Uma mineradora atuava na região extraindo material para construção, mas a atividade foi suspensa.
Posteriormente, a paleotoca recebeu proteção por meio de legislação municipal.
“Foi necessário sensibilizar autoridades locais para garantir a preservação. Hoje ela está protegida por lei municipal.”
O acesso atualmente é controlado pelos proprietários da área, que limitam o número de visitantes.
IMPACTO CIENTÍFICO E TURÍSTICO
A descoberta amplia o mapa paleontológico brasileiro, que até então tinha maior concentração de paleotocas no Sul do país.
Especialistas defendem que o sítio pode se tornar:
- Polo de turismo científico
- Referência para estudos de paleontologia amazônica
- Material didático para universidades e escolas
O próprio geólogo considera a descoberta um marco pessoal.
“Para mim, foi um fechamento de ouro na minha carreira. É uma contribuição que ultrapassa a geologia e entra na história da humanidade.”
UMA HISTÓRIA AINDA EM CONSTRUÇÃO
Atualmente, dez paleotocas já foram identificadas em Rondônia, e há indícios de que outras possam existir em áreas semelhantes.
A descoberta reforça a necessidade de investimentos em pesquisa científica na Amazônia e amplia a compreensão sobre a evolução ambiental da região.
A floresta que hoje domina o cenário amazônico é apenas o capítulo mais recente de uma história que começou milhões de anos atrás.
E sob o solo rondoniense, parte dessa história ainda espera para ser revelada.
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Fonte: Ji-Paraná Notícias