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Preservação das nascentes entra no centro do debate rural em Rondônia após perdas no campo

Por Redação
Publicado Hoje, às 07h 01min
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Foto: Rural Cast

No RuralCast, secretário da Sedam afirma que a crise hídrica de 2024 mudou a percepção de parte dos produtores e transformou a preservação das nascentes em questão de sobrevivência econômica no campo.

A preservação das nascentes deixou de ser apenas um tema técnico ou ambiental e passou a ocupar o centro do debate sobre produção rural em Rondônia. Durante entrevista ao podcast RuralCast, apresentado por Isaías Senas, o secretário da Sedam, Marco Antônio Ribeiro de Menezes Lagos, afirmou que a estiagem severa registrada em 2024 mostrou, de forma prática, que a falta de proteção das matas ciliares e das áreas de nascente já está causando prejuízos diretos ao produtor rural.

Ao comentar a reação de parte dos produtores diante do tema, o secretário disse que por muito tempo houve resistência à ideia de preservar. Segundo ele, em 2023 ainda ouviu de pessoas no interior que, se faltasse água, bastaria perfurar um poço. No entanto, no ano seguinte, houve caso citado por ele em que um poço com cerca de 120 metros não encontrou água, evidenciando que a solução improvisada nem sempre responde ao problema gerado pela degradação ambiental.

Foi nesse contexto que Marco Antônio resumiu a situação em uma das falas mais fortes da entrevista: “a natureza não discute”. Em seguida, ele relatou que a crise hídrica de 2024 mostrou para muitos produtores que a proteção das matas ciliares se tornou indispensável. Segundo o secretário, houve propriedade que sofreu “choque” produtivo por falta de água para irrigação, e um produtor chegou a confessar que havia perdido toda a produção no ano anterior.

Na avaliação do titular da Sedam, o conflito entre produção e preservação ainda existe, mas a realidade do campo começou a impor uma nova lógica. Ele afirmou que Rondônia sempre foi favorecida por rios perenes e relativa abundância hídrica, o que durante muitos anos reduziu a sensação de urgência. Mas, quando rios secam, áreas ficam assoreadas e nascentes desaparecem, o impacto deixa de ser teórico e passa a atingir diretamente a renda da propriedade.

Durante a entrevista, Marco Antônio citou inclusive situações em que áreas de nascente foram aterradas para ampliar espaço produtivo, numa tentativa de “ganhar território”. Para ele, esse tipo de decisão representa erro grave de planejamento. O secretário foi enfático ao dizer que o produtor precisa compreender que não existe atividade rural sustentável sem segurança hídrica, e que eliminar a água superficial da própria terra para depois depender de perfuração profunda é uma escolha que cobra um preço alto.

O argumento apresentado no RuralCast foi também econômico. Segundo o secretário, a recuperação de uma nascente pode custar, em muitos casos, entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, podendo chegar a valores maiores conforme a área de preservação permanente e a necessidade de recomposição. Já a perfuração de um poço pode custar entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, sem garantia de encontrar água, e em algumas propriedades é preciso perfurar mais de uma vez.

Para a Sedam, esse comparativo reforça que preservar não é apenas cumprir uma obrigação legal, mas reduzir risco financeiro. Marco Antônio defendeu medidas como recuperação de nascentes, recarga de lençol freático, curvas de nível, barraginhas e cercamento das áreas de preservação permanente. Ele também destacou que a meta é ampliar parcerias com municípios e produtores para transformar a proteção hídrica em política permanente no interior do estado.

O secretário citou exemplos de ações já em andamento em cidades como Cacoal, Espigão do Oeste, Pimenta Bueno e Cerejeiras, com projetos de recuperação e expansão de áreas protegidas. Segundo ele, há municípios que avançaram mais rapidamente porque conseguiram estabelecer parceria efetiva com o Estado, enquanto a falta de recursos ainda limita a ampliação dessas ações para outras regiões.

Outro ponto ressaltado foi que a Sedam oferece apoio técnico para diagnóstico e orientação nas propriedades, sobretudo nas áreas menores. De acordo com Marco Antônio, a intenção é fortalecer a qualidade hídrica do estado e ampliar a consciência de que água não é apenas insumo da produção, mas base da própria vida rural. Na entrevista, ele resumiu essa visão ao afirmar que, quando se melhora a qualidade hídrica, melhora-se também a qualidade de vida da população.


Assista ao episódio completo:
 

 

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