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Crise hídrica expõe prejuízos no campo e reforça alerta sobre preservação em Rondônia

Por Redação
Publicado Hoje, às 10h 30min
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Foto: Rural Cast

No RuralCast, o secretário da Sedam, Marco Antônio Ribeiro de Menezes Lagos, afirmou que a estiagem de 2024 mostrou de forma prática que água deixou de ser um tema secundário e passou a ser fator decisivo para a produção rural em Rondônia.

Durante entrevista ao podcast RuralCast, apresentado pelo jornalista e advogado Isaías Sena, Marco Antônio Ribeiro de Menezes Lagos, secretário de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia, disse que a crise hídrica registrada em 2024 serviu como um choque para muitos produtores e expôs a urgência da preservação das nascentes e das matas ciliares. Segundo ele, a falta de água já causou perdas concretas no campo e deixou claro que o debate ambiental tem impacto direto sobre a economia rural.

Ao abordar a realidade enfrentada em municípios do interior, o secretário relatou que houve situações em que produtores perfuraram poços profundos e, ainda assim, não encontraram água. Ele citou casos em que a estiagem mostrou que a retirada da vegetação de proteção e o abandono das nascentes cobram um preço alto, principalmente quando a irrigação se torna inviável.

Na entrevista, Marco Antônio foi direto ao resumir o problema: “você não cria e não planta nada sem água”. Antes, ele já havia afirmado que “a natureza não discute”, ao comentar que a escassez hídrica acabou impondo uma resposta dura à falta de preservação. O secretário também relatou ter ouvido de um produtor que ele havia perdido toda a produção no ano anterior por falta de água, usando o episódio como exemplo do efeito econômico imediato da crise.

Outro ponto destacado foi que Rondônia historicamente convive com grande oferta hídrica, o que por muitos anos criou a sensação de que a água seria um recurso sempre disponível. No entanto, segundo o secretário, a estiagem severa de 2024 rompeu essa percepção e obrigou o Estado a discutir até mesmo possíveis restrições de uso da água para determinadas atividades, caso o abastecimento humano fosse ameaçado. Ele citou Espigão do Oeste como um dos exemplos levados à mesa de discussão com órgãos de controle.

Marco Antônio explicou ainda que o uso da água em Rondônia depende de autorização da Sedam, incluindo captação em rios e perfuração de poços, e que esse controle permite ao Estado construir um banco de dados para reagir em momentos de escassez. Na prática, segundo ele, quando a sobrevivência humana entra em risco, atividades econômicas podem sofrer limitação para preservar o abastecimento da população.

A entrevista também avançou para a relação entre degradação ambiental e custos para o produtor. De acordo com o secretário, recuperar uma nascente pode custar de cerca de R$ 5 mil a R$ 10 mil, em situações mais simples, enquanto em alguns casos o valor pode subir, a depender do tamanho da área e da necessidade de recomposição. Em contrapartida, ele afirmou que a perfuração de um poço pode custar entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, sem garantia de sucesso.

No entendimento do titular da Sedam, essa comparação mostra que preservar e recuperar nascentes deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a representar uma decisão econômica racional. Ele defendeu ações como recarga de lençol freático, curvas de nível, barraginhas e cercamento de áreas de preservação permanente para evitar que a água desapareça da propriedade.

Ao final do trecho dedicado à água, o secretário fez um chamamento a prefeitos, empresários e produtores para ampliar projetos de recuperação hídrica no estado. Segundo ele, a Sedam já atua em frentes de diagnóstico, orientação técnica e parcerias para revitalização de nascentes, mas a expansão depende de cooperação entre poder público local, setor produtivo e sociedade.

Assista o episódio completo: